Entenda como eletrificação, Powershift e energia renovável podem atuar de forma complementar para reduzir emissões e apoiar a descarbonização
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Eficiência energética, eletrificação e energia renovável: qual é o papel de cada uma?
As estratégias podem atuar de forma complementar, mas sobre dimensões diferentes:
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Estratégia |
Principal atuação |
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Eficiência energética |
Reduz a quantidade de energia necessária para entregar determinado resultado |
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Eletrificação |
Substitui tecnologias ou usos finais não elétricos por soluções elétricas adequadas |
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Powershift |
Promove a mudança da matriz energética dos usos finais por meio da substituição de combustíveis fósseis por eletricidade |
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Energia renovável |
Atua sobre a origem da energia e sua intensidade de carbono |
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Gestão de energia |
Organiza dados, indicadores, metas e decisões |
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Descarbonização |
Busca reduzir as emissões de gases de efeito estufa |
Considere um processo industrial abastecido diretamente por combustível fóssil. A empresa pode atuar em três frentes:
• Eficiência energética: diminuir a quantidade de energia necessária para executar o processo.
• Eletrificação: substituir a tecnologia dependente do combustível por uma solução elétrica adequada.
• Energia renovável: utilizar eletricidade proveniente de fontes renováveis.
As medidas atuam sobre aspectos diferentes, mas podem ser combinadas. Essa lógica também está relacionada ao Powershift, abordagem em que usos finais dependentes de combustíveis fósseis passam a utilizar soluções elétricas, preferencialmente associadas a fontes renováveis. Entenda mais sobre essa combinação no conteúdo da AXIA sobre eficiência energética, eletrificação e Powershift.
Qual é o papel da eficiência energética na transição energética?
A transição energética envolve mudanças na produção, na infraestrutura e no consumo de energia, com a ampliação de soluções de menor emissão de carbono e o avanço em direção a uma economia de baixo carbono.
Nesse processo, a eficiência energética reduz a quantidade de energia necessária para determinada atividade, enquanto a eletrificação e as fontes renováveis atuam sobre como essa energia é fornecida e utilizada.
É nessa combinação que eficiência energética, energia renovável, eletrificação, transição energética e descarbonização se conectam.
Uma medida pode melhorar a eficiência sem mudar a fonte energética. Da mesma forma, utilizar energia renovável não significa, por si só, eliminar desperdícios ou melhorar a eficiência da operação.
Como medir a contribuição da eficiência para a redução de emissões?
O primeiro passo é verificar se houve, de fato, ganho de eficiência.
Comparar apenas o consumo antes e depois pode ser insuficiente se produção, ocupação, temperatura, horas de funcionamento ou outras condições relevantes tiverem mudado. Nesses casos, indicadores e uma linha de base energética tornam a comparação mais consistente.
A análise pode considerar:
1. Consumo de referência: quanto era utilizado antes da medida.
2. Atividade realizada: produção, área, ocupação ou outra variável adequada.
3. Energia evitada: diferença após considerar condições comparáveis.
4. Fonte energética: eletricidade, gás, diesel ou outra fonte.
5. Emissões associadas: efeito da mudança no perfil de emissões.
6. Energia final total: eletricidade e combustíveis convertidos para uma unidade comparável.
7. Consumo de combustíveis fósseis: evolução do uso antes e depois da intervenção.
8. Demanda elétrica: impacto da eletrificação sobre a carga e o perfil da unidade.
A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) considera a construção e a manutenção de indicadores uma ação central para acompanhar a eficiência energética e destaca a importância de metas mensuráveis ou verificáveis.
O ponto central é simples: primeiro é preciso demonstrar o que mudou no consumo e no desempenho para, então, avaliar a contribuição dessa mudança para as emissões.
Como a gestão de energia conecta eficiência e descarbonização?
Melhorar um equipamento ou processo é apenas uma parte do trabalho. A gestão de energia organiza consumo, fontes energéticas, indicadores, metas e decisões para identificar onde agir, definir prioridades e conectar eficiência e Powershift à operação, à infraestrutura elétrica, à contratação de energia, ao orçamento e à sustentabilidade. Isso ajuda a responder questões como:
• O desempenho energético melhorou?
• A operação continuou entregando o mesmo resultado?
• A melhoria permaneceu ao longo do tempo?
• Houve mudança nas fontes utilizadas?
• Como essas mudanças se relacionam às emissões?
• Quais processos ainda utilizam combustíveis fósseis?
• Quais apresentam potencial técnico para eletrificação?
• Como a eletrificação altera demanda, contratação de energia e emissões?
Esse acompanhamento amplia a visão sobre eficiência. Saiba como gestão de energia e Powershift podem integrar eficiência, eletrificação e decisões energéticas.
Eficiência energética é uma das alavancas da descarbonização
A eficiência energética pode reduzir a quantidade de energia necessária para produzir, operar ou prestar um serviço. Quando essa redução evita o uso de energia associado a emissões, também pode contribuir para diminuí-las. Mas a descarbonização é mais ampla.
Eficiência energética, eletrificação e energia renovável atuam sobre dimensões diferentes e complementares: quanto de energia é necessário, qual tecnologia entrega o resultado e qual é a origem da energia utilizada.
Esse olhar integrado permite avaliar o desempenho energético junto ao impacto sobre as emissões, sem restringir a estratégia à redução do consumo. Em determinados usos finais, a descarbonização pode envolver justamente o crescimento da demanda elétrica decorrente da substituição de combustíveis fósseis por tecnologias elétricas mais eficientes.
1. O consumo caiu porque a operação ficou mais eficiente?
Uma empresa pode consumir menos simplesmente porque produziu menos.
Considere este exemplo hipotético:
• Antes: 100 MWh para produzir 1.000 toneladas = 100 kWh/t.
• Depois: 90 MWh para produzir 1.000 toneladas = 90 kWh/t.
A atividade permaneceu igual, enquanto a energia necessária caiu 10%. Nesse caso, houve melhora na relação entre consumo e produção.
Se a produção também tivesse diminuído, porém, comparar apenas 100 MWh com 90 MWh não seria suficiente para chegar à mesma conclusão.
É por isso que indicadores de eficiência energética relacionam consumo e atividade. A intensidade energética, por exemplo, pode ser expressa em kWh por tonelada produzida ou kWh por metro quadrado.
2. Qual energia deixou de ser consumida?
A fonte de energia também importa.
Enquanto a eficiência energética atua sobre quanto de energia é necessário, a energia renovável está relacionada à origem dessa energia e à sua intensidade de carbono.
Assim, ganhos semelhantes de eficiência podem gerar efeitos diferentes sobre as emissões, dependendo das fontes utilizadas.
3. Houve substituição de uma fonte de energia ou da tecnologia utilizada?
Esse ponto ganha importância em projetos de eletrificação.
Uma empresa pode substituir um processo dependente de combustível fóssil por uma tecnologia elétrica. Essa mudança da matriz energética dos usos finais é o princípio do Powershift. A eletrificação pode aumentar o consumo elétrico da empresa ao mesmo tempo em que reduz o consumo direto de combustíveis fósseis.
A contribuição dessa mudança para a redução de emissões depende também da eficiência da tecnologia e da origem da eletricidade utilizada. Por isso, aumentar o consumo de eletricidade não significa automaticamente perder eficiência ou aumentar emissões.