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Eficiência energética e descarbonização: como eletrificação, Powershift e e energia renovável ajudam a reduzir emissões?

Entenda como eficiência energética, eletrificação, Powershift e energia renovável podem atuar de forma complementar para reduzir emissões e apoiar a descarbonização

Melhorar a eficiência energética significa aprimorar a relação entre a energia utilizada e o resultado entregue. Isso pode envolver a redução de perdas, mudanças tecnológicas e, em determinadas aplicações, a substituição de tecnologias baseadas em combustíveis fósseis por soluções elétricas mais eficientes. Quando esse ganho também reduz o uso de fontes associadas às emissões de gases de efeito estufa, pode contribuir para a descarbonização. Mas essa relação não é automática. As emissões também dependem da fonte de energia utilizada e do nível de atividade da operação. Por isso, reduzir o consumo não significa necessariamente reduzir emissões na mesma proporção. Essa diferença é importante para compreender como eficiência energética, eletrificação e Powershift podem atuar de forma complementar.

 

Qual é a relação entre eficiência energética e descarbonização?

 

A eficiência energética busca melhorar a relação entre a energia utilizada e o resultado entregue. Em outras palavras, produzir, operar ou prestar determinado serviço utilizando a energia de forma mais eficiente, podendo reduzir a quantidade de energia final necessária para entregar o mesmo resultado.


A descarbonização tem um objetivo mais amplo: reduzir de forma estruturada as emissões de gases de efeito estufa das atividades econômicas.


Os conceitos, portanto, estão relacionados, mas não são sinônimos:


•    Eficiência energética: usar menos energia para entregar o mesmo resultado.
•    Descarbonização: reduzir as emissões de gases de efeito estufa associadas às atividades.


É justamente na redução da energia necessária para realizar uma atividade que as duas estratégias podem se encontrar.


A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) relaciona metas de redução do consumo à redução das emissões de gases de efeito estufa no contexto dos programas de eficiência energética.

 

Como a eficiência energética pode ajudar a reduzir emissões?

 

A lógica pode ser entendida com um exemplo simples. Imagine duas tecnologias que entregam exatamente o mesmo resultado:


•    a primeira utiliza 100 unidades de energia;
•    a segunda utiliza 80 unidades.


Se as condições de operação e a fonte energética forem as mesmas, a segunda precisa de 20% menos energia para entregar o mesmo resultado. Esse ganho representa uma melhoria de eficiência. Se a energia evitada estava associada à emissão de gases de efeito estufa, a medida também pode contribuir para reduzir emissões.


A International Energy Agency (IEA) estima que as medidas de eficiência implementadas desde 2010 evitaram emissões de CO₂ relacionadas à energia equivalentes a quase 20% do total global registrado em 2023.

 
Isso ajuda a dimensionar o papel da eficiência na agenda climática. Mas há uma diferença importante entre reduzir o consumo de energia e reduzir emissões.


Em projetos de Powershift, a comparação pode envolver fontes diferentes. Nesse caso, além do consumo da tecnologia, é necessário avaliar a energia final total, a eficiência das alternativas, a origem da energia e as emissões associadas.

 

Por que consumir menos nem sempre significa descarbonizar?

 

Nem toda queda no consumo representa ganho de eficiência. Da mesma forma, nem todo ganho de eficiência gera a mesma redução de emissões. Para interpretar o resultado, três perguntas são importantes:

1. O consumo caiu porque a operação ficou mais eficiente?

Uma empresa pode consumir menos simplesmente porque produziu menos.


Considere este exemplo hipotético:
•    Antes: 100 MWh para produzir 1.000 toneladas = 100 kWh/t.
•    Depois: 90 MWh para produzir 1.000 toneladas = 90 kWh/t.


A atividade permaneceu igual, enquanto a energia necessária caiu 10%. Nesse caso, houve melhora na relação entre consumo e produção.


Se a produção também tivesse diminuído, porém, comparar apenas 100 MWh com 90 MWh não seria suficiente para chegar à mesma conclusão.

É por isso que indicadores de eficiência energética relacionam consumo e atividade. A intensidade energética, por exemplo, pode ser expressa em kWh por tonelada produzida ou kWh por metro quadrado. 

2. Qual energia deixou de ser consumida?

A fonte de energia também importa.


Enquanto a eficiência energética atua sobre quanto de energia é necessário, a energia renovável está relacionada à origem dessa energia e à sua intensidade de carbono. 


Assim, ganhos semelhantes de eficiência podem gerar efeitos diferentes sobre as emissões, dependendo das fontes utilizadas.

3. Houve substituição de uma fonte de energia ou da tecnologia utilizada?

Esse ponto ganha importância em projetos de eletrificação.


Uma empresa pode substituir um processo dependente de combustível fóssil por uma tecnologia elétrica. Essa mudança da matriz energética dos usos finais é o princípio do Powershift. A eletrificação pode aumentar o consumo elétrico da empresa ao mesmo tempo em que reduz o consumo direto de combustíveis fósseis.


A contribuição dessa mudança para a redução de emissões depende também da eficiência da tecnologia e da origem da eletricidade utilizada. Por isso, aumentar o consumo de eletricidade não significa automaticamente perder eficiência ou aumentar emissões.

Eficiência energética, eletrificação e energia renovável: qual é o papel de cada uma?

 

As estratégias podem atuar de forma complementar, mas sobre dimensões diferentes:

 

Estratégia

Principal atuação

Eficiência energética

Reduz a quantidade de energia necessária para entregar determinado resultado

Eletrificação

Substitui tecnologias ou usos finais não elétricos por soluções elétricas adequadas

Powershift

Promove a mudança da matriz energética dos usos finais por meio da substituição de combustíveis fósseis por eletricidade

Energia renovável

Atua sobre a origem da energia e sua intensidade de carbono

Gestão de energia

Organiza dados, indicadores, metas e decisões

Descarbonização

Busca reduzir as emissões de gases de efeito estufa

 

Considere um processo industrial abastecido diretamente por combustível fóssil. A empresa pode atuar em três frentes:


•    Eficiência energética: diminuir a quantidade de energia necessária para executar o processo.
•    Eletrificação: substituir a tecnologia dependente do combustível por uma solução elétrica adequada.
•    Energia renovável: utilizar eletricidade proveniente de fontes renováveis.


As medidas atuam sobre aspectos diferentes, mas podem ser combinadas. Essa lógica também está relacionada ao Powershift, abordagem em que usos finais dependentes de combustíveis fósseis passam a utilizar soluções elétricas, preferencialmente associadas a fontes renováveis. Entenda mais sobre essa combinação no conteúdo da AXIA sobre eficiência energética, eletrificação e Powershift.

 

Qual é o papel da eficiência energética na transição energética?

 

A transição energética envolve mudanças na produção, na infraestrutura e no consumo de energia, com a ampliação de soluções de menor emissão de carbono e o avanço em direção a uma economia de baixo carbono.


Nesse processo, a eficiência energética reduz a quantidade de energia necessária para determinada atividade, enquanto a eletrificação e as fontes renováveis atuam sobre como essa energia é fornecida e utilizada.


É nessa combinação que eficiência energética, energia renovável, eletrificação, transição energética e descarbonização se conectam.


Uma medida pode melhorar a eficiência sem mudar a fonte energética. Da mesma forma, utilizar energia renovável não significa, por si só, eliminar desperdícios ou melhorar a eficiência da operação.

 

Como medir a contribuição da eficiência para a redução de emissões?

 

O primeiro passo é verificar se houve, de fato, ganho de eficiência.
Comparar apenas o consumo antes e depois pode ser insuficiente se produção, ocupação, temperatura, horas de funcionamento ou outras condições relevantes tiverem mudado. Nesses casos, indicadores e uma linha de base energética tornam a comparação mais consistente. 


A análise pode considerar:


1.    Consumo de referência: quanto era utilizado antes da medida.
2.    Atividade realizada: produção, área, ocupação ou outra variável adequada.
3.    Energia evitada: diferença após considerar condições comparáveis.
4.    Fonte energética: eletricidade, gás, diesel ou outra fonte.
5.    Emissões associadas: efeito da mudança no perfil de emissões.
6.    Energia final total: eletricidade e combustíveis convertidos para uma unidade comparável.
7.    Consumo de combustíveis fósseis: evolução do uso antes e depois da intervenção.
8.    Demanda elétrica: impacto da eletrificação sobre a carga e o perfil da unidade.
 

A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) considera a construção e a manutenção de indicadores uma ação central para acompanhar a eficiência energética e destaca a importância de metas mensuráveis ou verificáveis. 


O ponto central é simples: primeiro é preciso demonstrar o que mudou no consumo e no desempenho para, então, avaliar a contribuição dessa mudança para as emissões.

 

Como a gestão de energia conecta eficiência e descarbonização?

 

Melhorar um equipamento ou processo é apenas uma parte do trabalho. A gestão de energia organiza consumo, fontes energéticas, indicadores, metas e decisões para identificar onde agir, definir prioridades e conectar eficiência e Powershift à operação, à infraestrutura elétrica, à contratação de energia, ao orçamento e à sustentabilidade. Isso ajuda a responder questões como:


•    O desempenho energético melhorou?
•    A operação continuou entregando o mesmo resultado?
•    A melhoria permaneceu ao longo do tempo?
•    Houve mudança nas fontes utilizadas?
•    Como essas mudanças se relacionam às emissões?
•    Quais processos ainda utilizam combustíveis fósseis?
•    Quais apresentam potencial técnico para eletrificação?
•    Como a eletrificação altera demanda, contratação de energia e emissões?
 

Esse acompanhamento amplia a visão sobre eficiência. Saiba como gestão de energia e Powershift podem integrar eficiência, eletrificação e decisões energéticas.

 

Eficiência energética é uma das alavancas da descarbonização

 

A eficiência energética pode reduzir a quantidade de energia necessária para produzir, operar ou prestar um serviço. Quando essa redução evita o uso de energia associado a emissões, também pode contribuir para diminuí-las. Mas a descarbonização é mais ampla.


Eficiência energética, eletrificação e energia renovável atuam sobre dimensões diferentes e complementares: quanto de energia é necessário, qual tecnologia entrega o resultado e qual é a origem da energia utilizada. 


Esse olhar integrado permite avaliar o desempenho energético junto ao impacto sobre as emissões, sem restringir a estratégia à redução do consumo. Em determinados usos finais, a descarbonização pode envolver justamente o crescimento da demanda elétrica decorrente da substituição de combustíveis fósseis por tecnologias elétricas mais eficientes.

Perguntas frequentes sobre eficiência energética e descarbonização

Pode contribuir. Ao reduzir a energia necessária para entregar o mesmo resultado, a eficiência pode evitar consumos associados a emissões. O efeito também depende da fonte energética utilizada.

Não necessariamente. É preciso avaliar se a redução decorreu de ganho de eficiência, qual fonte deixou de ser consumida e quais eram as condições da operação.

Não. A eficiência energética melhora a relação entre energia utilizada e resultado entregue. A descarbonização é mais ampla e busca reduzir as emissões de gases de efeito estufa. 

A eficiência energética atua sobre a quantidade de energia necessária para uma atividade. A energia renovável está relacionada à origem dessa energia. As duas estratégias podem atuar de forma complementar.

Não necessariamente. A contribuição da eletrificação para a redução de emissões depende também da eficiência da solução elétrica e da origem da eletricidade utilizada.

Powershift é a mudança da matriz energética dos usos finais por meio da substituição de combustíveis fósseis por eletricidade. Quando tecnicamente adequada e associada a soluções elétricas eficientes e fontes renováveis, essa mudança pode contribuir para reduzir a dependência de combustíveis fósseis e as emissões associadas.

A eficiência reduz a energia necessária para realizar uma atividade, enquanto a transição energética envolve transformações mais amplas na produção e no consumo de energia. Eficiência, eletrificação e fontes renováveis podem atuar de forma complementar nesse processo.

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