Entenda como a eletrificação da economia contribui para a transição energética, reduz o uso de combustíveis fósseis e amplia o papel da energia renovável
Atualizado em
A transição energética envolve mudanças não apenas na forma como a energia é produzida, mas também na maneira como é utilizada. À medida que fontes de menor emissão ganham espaço, cresce também a possibilidade de substituir tecnologias movidas a combustíveis fósseis por soluções elétricas mais eficientes.
É nesse contexto que a eletrificação da economia ganha relevância. Ela amplia o uso da eletricidade em atividades como transportes, processos industriais e climatização, substituindo o uso direto de combustíveis fósseis por tecnologias elétricas quando existem alternativas técnica e economicamente viáveis.
Essa transformação está entre os caminhos para avançar na transição energética, especialmente quando combina eletrificação, fontes renováveis, eficiência e infraestrutura adequada.
Segundo a Agência Internacional de Energia (IEA), a eletricidade representa atualmente cerca de 23% do consumo final mundial de energia. A agência estima que, com tecnologias já disponíveis, essa participação poderia chegar de forma economicamente competitiva a cerca de 33% em 2035.
O que é eletrificação da economia?
Eletrificar a economia significa ampliar o uso da eletricidade em atividades que atualmente dependem de outras fontes de energia, principalmente combustíveis fósseis.
Isso pode acontecer em diferentes setores:
1. Transportes
Substituição de veículos movidos a combustíveis por modelos elétricos;
2. Industria
Adoção de tecnologias elétricas em determinados equipamentos e processos;
3. Edifícios e serviços
Utilização de soluções elétricas mais eficientes para climatização, aquecimento e outros usos;
4. Operações empresariais
Eletrificação de frotas, equipamentos móveis e processos produtivos.
Mas eletrificação não significa simplesmente consumir mais eletricidade. É preciso avaliar qual fonte está sendo substituída, quanta energia é necessária para entregar o mesmo resultado, a eficiência da nova tecnologia, a origem da eletricidade e os impactos sobre infraestrutura, custos e emissões.
Essa lógica se conecta ao conceito de Powershift, abordado no artigo sobre gestão de energia: uma mudança na matriz energética dos usos finais por meio da substituição de combustíveis fósseis por eletricidade, preferencialmente proveniente de fontes renováveis. O conteúdo também mostra como consumo, contratos, eficiência energética, eletrificação industrial e energia renovável podem ser analisados de forma integrada.
Por que a eletrificação é importante para a transição energética?
A eletrificação conecta duas transformações que precisam avançar de forma coordenada.
De um lado, está a expansão da geração de energia de menor emissão. De outro, a possibilidade de substituir o uso direto de combustíveis fósseis em diferentes atividades por tecnologias elétricas.
Imagine, por exemplo, uma determinada operação industrial que utiliza um combustível fóssil para produzir calor. Se houver uma tecnologia elétrica adequada capaz de realizar essa função com eficiência, a empresa pode reduzir o uso direto do combustível e transferir parte dessa demanda para a eletricidade.
Se essa eletricidade estiver associada a fontes de menor emissão, essa mudança pode contribuir para a descarbonização da atividade.
É por isso que a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) destaca o protagonismo do setor elétrico na transição energética: a expansão de tecnologias de energia renovável no setor cria condições para eletrificar outros segmentos, como transportes e indústria, apoiando a descarbonização.
Em termos simples, a lógica é:
eletrificação + eficiência energética + eletricidade de menor emissão = maior potencial para reduzir o uso de combustíveis fósseis.
Eletrificação pode aumentar o consumo de eletricidade e, ainda assim, melhorar a eficiência?
Sim. Esse é um ponto importante porque eficiência energética nem sempre significa simplesmente reduzir o consumo de eletricidade.
Uma indústria pode, por exemplo, substituir determinada tecnologia movida a combustível fóssil por uma alternativa elétrica capaz de entregar o mesmo resultado utilizando menos energia final. Nesse caso, o consumo de eletricidade pode aumentar enquanto o consumo total de energia diminui.
Essa distinção é especialmente importante em estratégias de Powershift. A substituição de combustíveis fósseis pode criar nova demanda por eletricidade e, ao mesmo tempo, reduzir a quantidade total de energia final necessária para entregar o mesmo serviço.
A IEA também destaca a maior eficiência de determinadas tecnologias elétricas. Um veículo elétrico, por exemplo, pode ser de duas a quatro vezes mais eficiente que um equivalente com motor a combustão interna.
Por isso, avaliar um projeto de eletrificação exige olhar além do consumo medido em kWh. O importante é comparar o desempenho antes e depois da mudança, considerando eletricidade e combustíveis consumidos, energia final total, o serviço entregue e as emissões associadas.
Como a eletrificação contribui para a descarbonização?
Eletrificação e descarbonização estão diretamente relacionadas, mas não são a mesma coisa.
A descarbonização é um processo mais amplo de redução das emissões de gases de efeito estufa. Pode envolver eficiência energética, fontes renováveis, eletrificação, bioenergia, mudanças de processo, gestão de emissões e outras soluções.
A eletrificação é uma dessas alavancas.
Na prática, o processo pode acontecer desta forma:
1. Situação inicial
Um equipamento ou processo depende diretamente de combustível fóssil.
2. Powershift:
Uma tecnologia elétrica adequada passa a executar a mesma função, promovendo uma mudança na matriz energética do uso final.
3. Resultado energético
O consumo elétrico pode aumentar enquanto o consumo de combustíveis fósseis diminui.
4. Resultado climático
A contribuição para a redução de emissões dependerá também da eficiência da tecnologia e da origem da eletricidade.
É justamente por isso que eficiência energética, eletrificação e energia renovável precisam ser analisadas em conjunto.
A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) define a transição energética como uma transformação da infraestrutura, da produção e do consumo de energia pelos diferentes setores com o objetivo de contribuir para a neutralidade das emissões líquidas de gases de efeito estufa do país.
Qual é o papel da energia renovável na eletrificação?
Quanto maior a presença da eletricidade nos usos finais, maior também é a importância de sua origem.
A eletrificação, isoladamente, não determina o resultado climático da transformação. É preciso considerar como a eletricidade é produzida e a eficiência da tecnologia adotada.
Nesse aspecto, o Brasil parte de uma posição particular. Segundo a EPE, as fontes renováveis responderam por 50% da oferta interna de energia brasileira em 2024, enquanto a média mundial apresentada pela instituição foi de 14,5%.
Isso não elimina os desafios brasileiros. Pelo contrário. A própria EPE ressalta que cada país enfrenta oportunidades e desafios específicos em sua estratégia de transição energética.
À medida que cresce a eletrificação, aumentam também a importância do planejamento, da infraestrutura elétrica e da integração das diferentes fontes de geração.
Eletrificação industrial: como funciona na prática?
Na indústria, há processos que utilizam diretamente combustíveis fósseis para produzir calor, movimentar equipamentos ou atender outras necessidades da operação.
O primeiro passo é identificar quais usos finais ainda dependem de combustíveis fósseis e avaliar seu potencial de eletrificação. Em processos industriais, essa análise deve considerar as características técnicas e operacionais da aplicação antes da definição da tecnologia.
Dependendo das características técnicas de cada atividade, podem ser avaliadas soluções como:
- bombas de calor industriais;
- caldeiras elétricas;
- aquecimento por resistência;
- sistemas de indução;
- recompressão mecânica de vapor;
- baterias térmicas;
- eletrificação de frotas e equipamentos.
Essas possibilidades também estão detalhadas no conteúdo da AXIA sobre eficiência energética e Powershift, que aborda aplicações industriais e critérios que precisam ser considerados antes da eletrificação.
A viabilidade de uma estratégia de Powershift, porém, precisa ser avaliada de forma integrada. Um novo processo elétrico pode alterar a demanda da instalação, os picos de carga, a infraestrutura necessária e a contratação de energia.
Por isso, eletrificar também exige gestão de energia.
Por que a gestão de energia se torna ainda mais importante?
Ao substituir combustíveis por eletricidade, uma empresa pode mudar significativamente seu perfil energético.
Isso pode afetar:
- consumo de combustíveis;
- consumo de eletricidade;
- consumo total de energia final;
- demanda e picos de carga;
- infraestrutura elétrica;
- perfil de contratação;
- custos;
- riscos;
- emissões associadas à energia.
A gestão de energia ajuda a integrar essas variáveis em uma mesma análise. A página da AXIA dedicada ao tema aborda consumo, demanda, contratos, custos, riscos, matriz energética e oportunidades de Powershift de forma conjunta.
Assim, a questão deixa de ser apenas “este processo pode ser eletrificado?” e passa a incluir “como essa mudança altera todo o sistema energético da empresa?”.
Eletrificar a economia também exige preparar o sistema elétrico
A eletrificação não termina dentro de uma fábrica, edifício ou veículo.
Quanto maior a participação da eletricidade nos usos finais, maior é a necessidade de um sistema capaz de conectar geração e consumo com segurança.
Esse cenário amplia a importância da geração, da transmissão, das redes inteligentes, do armazenamento, da gestão da demanda e de outras soluções de flexibilidade.
A ANEEL destaca que a transformação do setor elétrico acontece simultaneamente na oferta e na demanda. Na oferta, entram recursos como geração renovável, armazenamento e redes inteligentes. Esse movimento também exige mecanismos de planejamento e operação capazes de lidar com a variabilidade das fontes renováveis e as mudanças no consumo.
Um exemplo concreto dessa integração já aparece em projetos da própria AXIA Energia. O polo de inovação no Nordeste reúne soluções solares, sistemas híbridos com armazenamento em baterias e cargas flexíveis para testar aplicações ligadas aos desafios do futuro do setor elétrico. Conheça o projeto da AXIA.
Por que o Brasil tem uma oportunidade particular na eletrificação?
A transição energética não segue uma única trajetória. Cada país parte de uma combinação diferente de recursos naturais, infraestrutura, tecnologias e necessidades econômicas.
No Brasil, a elevada participação de fontes renováveis cria uma característica importante para essa transformação. Ao mesmo tempo, a EPE destaca que a trajetória brasileira precisa conciliar descarbonização, segurança energética, desenvolvimento econômico e inclusão social.
Nesse contexto, a eletrificação pode funcionar como uma ponte entre dois lados da transição: a produção de energia de menor emissão e a transformação dos usos finais de energia na economia. Quando essa transformação envolve a substituição de combustíveis fósseis por eletricidade, ela materializa uma estratégia de Powershift.
Isso significa que eletrificar indústria, transportes e outros processos não é apenas trocar uma tecnologia por outra. É mudar gradualmente a forma como diferentes setores se relacionam com o sistema energético.
Como a AXIA Energia se conecta a essa transformação?
A expansão da eletrificação reforça a conexão entre geração, transmissão, consumo e gestão da energia.
Ao substituir combustíveis fósseis por eletricidade, o Powershift também pode criar nova demanda elétrica. Integrar essa demanda adicional à disponibilidade de energia, à infraestrutura, ao perfil de consumo e às estratégias de contratação passa a fazer parte da transformação energética das empresas.
A AXIA atua justamente em diferentes elos desse sistema. Em 2025, a companhia migrou para um portfólio de geração 100% renovável e direcionou R$ 6,1 bilhões de seus investimentos daquele ano ao segmento de transmissão.
Além da infraestrutura, a transformação passa por soluções capazes de aproximar consumo e operação do sistema elétrico. Um exemplo é a plataforma de Resposta da Demanda da AXIA, que permite que empresas do Mercado Livre ofereçam voluntariamente reduções de consumo para atendimento do Sistema Interligado Nacional em determinados períodos.
Com o avanço da eletrificação, essa integração tende a ganhar ainda mais importância: mais usos elétricos e novas cargas exigem energia, infraestrutura, contratação, eficiência e gestão capazes de trabalhar em conjunto.
É essa combinação que ajuda a transformar a eletrificação em uma alavanca efetiva da transição energética.
Perguntas frequentes sobre eletrificação e transição energética
É a ampliação do uso da eletricidade em atividades que atualmente dependem de outras fontes de energia, especialmente combustíveis fósseis. Pode ocorrer em transportes, indústria, edifícios e outros usos finais.
Powershift é a mudança da matriz energética dos usos finais por meio da substituição de combustíveis fósseis por eletricidade. Essa transformação pode ocorrer em processos industriais, transportes, equipamentos e outras aplicações, devendo considerar eficiência, infraestrutura, viabilidade econômica, origem da eletricidade e impacto sobre as emissões.
A eletrificação permite substituir determinados usos diretos de combustíveis fósseis por tecnologias elétricas. Associada à eficiência energética e à eletricidade de menor emissão, pode contribuir para a redução do consumo de combustíveis fósseis e para a transição energética.
Não. Eficiência energética busca melhorar a relação entre a energia utilizada e o resultado entregue. A eletrificação altera a tecnologia ou a fonte utilizada em determinado uso final. As estratégias podem atuar de forma complementar. A diferença é aprofundada no conteúdo Eficiência energética, Powershift e Eletrificação.
Sim. A substituição de equipamentos ou processos movidos a combustíveis por tecnologias elétricas pode criar novas cargas e alterar a demanda e o perfil de consumo da unidade. Por isso, projetos de eletrificação devem avaliar de forma integrada a infraestrutura elétrica, a curva de carga e a contratação de energia.
A origem da eletricidade influencia o resultado climático da eletrificação. Por isso, eletrificação, uso eficiente da energia e expansão das fontes renováveis são estratégias complementares dentro da transição energética.
A análise deve considerar características técnicas da operação, demanda e perfil de carga, infraestrutura elétrica, contratação de energia, viabilidade econômica, segurança, confiabilidade e impacto sobre emissões. Esses fatores também fazem parte das abordagens de gestão de energia e eficiência energética já publicadas pela AXIA.