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Governança corporativa: o que é e como contribui para decisões mais seguras e transparentes?

Entenda o que é governança corporativa, a sua relação com as práticas ESG e a sua relevância no setor de energia brasileiro

Tomar decisões dentro de uma empresa envolve equilibrar diferentes interesses, avaliar riscos, cumprir normas e considerar impactos que podem afetar acionistas, colaboradores, clientes, fornecedores, comunidades e a sociedade como um todo. Para apoiar esse processo, as organizações adotam práticas de governança corporativa.


De acordo com o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), a governança corporativa é um sistema formado por princípios, regras, estruturas e processos pelos quais as organizações são dirigidas e monitoradas, com foco na geração de valor sustentável para a empresa, seus sócios e a sociedade. Ela orienta responsabilidades, fortalece a supervisão das decisões e promove relações mais transparentes entre a administração, investidores e demais públicos de interesse. 


A governança cria mecanismos para definir quem decide, quem supervisiona, como riscos são avaliados e de que forma os resultados são acompanhados e divulgados. Isso contribui para decisões mais consistentes, responsáveis e alinhadas aos objetivos de longo prazo da organização.


Ao longo deste conteúdo, você entenderá melhor o que é governança corporativa, sua relação com as práticas ESG e por que ela é especialmente relevante para o setor de energia.


O que é governança corporativa?


A governança corporativa reúne regras, estruturas e processos que organizam a tomada de decisão e a fiscalização dentro das empresas. Seu objetivo é garantir que a organização atue de forma ética, transparente e responsável, criando condições para uma gestão mais eficiente e sustentável.


Entre os princípios mais conhecidos da governança corporativa estão:

• Transparência

Consiste em disponibilizar informações relevantes de forma clara, acessível e tempestiva, indo além das obrigações legais. Isso fortalece a confiança dos públicos de relacionamento e contribui para decisões mais bem fundamentadas. 

• Equidade

Refere-se ao tratamento justo e isonômico de acionistas e demais stakeholders, considerando seus direitos, deveres, necessidades e expectativas.

• Prestação de contas (accountability)

Significa que gestores e órgãos de governança devem assumir responsabilidade por suas decisões e resultados, prestando contas de sua atuação de forma clara e transparente.

• Responsabilidade corporativa

Está relacionada ao compromisso de preservar a viabilidade da organização no longo prazo, considerando os impactos econômicos, sociais e ambientais de suas atividades.

Esses princípios ajudam a criar critérios claros para a tomada de decisões, o acompanhamento de resultados e o relacionamento com todos os públicos envolvidos.

Quais são os pilares da governança corporativa? 


Enquanto os princípios expressam os valores que orientam a conduta da organização, os pilares da governança corporativa correspondem às estruturas que tornam esses valores aplicáveis no dia a dia da empresa. Na prática, os pilares da governança corporativa costumam ser organizados da seguinte forma: 

• Propriedade:

relaciona-se aos direitos dos sócios e acionistas, à Assembleia Geral e às regras de participação, voto e tratamento equitativo

• Direção estratégica:

envolve o Conselho de Administração e seus comitês de assessoramento, responsáveis por definir diretrizes, supervisionar a gestão e acompanhar riscos e resultados

• Gestão executiva:

corresponde à Diretoria Executiva, encarregada de implementar a estratégia, conduzir as operações e prestar contas ao Conselho

• Fiscalização e controle:

reúne auditoria interna, auditoria independente, controles internos, compliance, gestão de riscos e, quando instalado, o Conselho Fiscal

• Conduta e ética:

abrange o Código de Conduta, os canais de denúncia, as políticas de integridade e os mecanismos de tratamento de conflitos de interesse

Quando esses pilares funcionam de forma integrada, a governança corporativa deixa de ser um conjunto de documentos formais e passa a influenciar efetivamente a qualidade das decisões, a gestão de riscos e a geração de valor de longo prazo.

Por que aplicar governança corporativa nas empresas?


A adoção de boas práticas de governança corporativa ajuda as organizações a analisar informações, identificar riscos e avaliar impactos antes de tomar decisões estratégicas.

Essa estrutura pode incluir, por exemplo:

•    Definição clara de papéis entre Conselho de Administração e Diretoria Executiva;
•    Políticas, normas e procedimentos internos;
•    Processos de gestão e monitoramento de riscos;
•    Mecanismos de controle interno e auditoria;
•    Prestação de contas e divulgação de informações relevantes.

Imagine uma empresa avaliando um investimento de grande porte. Antes da aprovação, diferentes áreas podem analisar aspectos financeiros, regulatórios, ambientais e operacionais. A governança ajuda a organizar esse processo, definindo responsabilidades e critérios para a tomada de decisão.

É importante destacar que a governança corporativa não elimina riscos. Seu papel é criar processos para identificá-los, avaliá-los, monitorá-los e incorporá-los à gestão da organização, reduzindo a probabilidade de falhas e aumentando a capacidade de resposta diante de desafios.

 

Qual a diferença entre governança corporativa e compliance? 


Governança corporativa e compliance são conceitos complementares, mas não sinônimos. A governança corporativa é o sistema mais amplo, que define como a empresa é dirigida, supervisionada e monitorada, estabelecendo papéis, alçadas, instâncias de decisão e mecanismos de prestação de contas. 


O compliance, por sua vez, é um dos instrumentos dentro desse sistema. Ele trata da conformidade da organização com leis, normas, regulamentos, políticas internas e padrões éticos aplicáveis ao seu negócio, incluindo temas como integridade, prevenção à fraude e à corrupção, conflito de interesses e proteção de dados. 


Uma forma simples de compreender a distinção: 


•    A governança corporativa define quem decide, como decide e como presta contas; 
•    O compliance verifica se essas decisões e condutas estão em conformidade com as regras internas e externas; 
•    A gestão de riscos avalia o que pode comprometer os objetivos e como tratar essas exposições; 
•    A auditoria interna avalia, de forma independente, se os controles funcionam como deveriam. 
 

Em organizações de grande porte, esses elementos costumam operar de maneira coordenada, em um modelo de linhas de defesa, no qual a área de negócio, as funções de controle e a auditoria interna atuam com responsabilidades distintas e complementares. 

 

Como governança corporativa e gestão de riscos se conectam? 


A gestão de riscos é uma das principais expressões práticas da governança corporativa. É por meio dela que a organização identifica, avalia, trata, monitora e comunica os riscos capazes de afetar a estratégia, os resultados, a reputação e a continuidade das operações. 


A governança contribui para que esse processo seja estruturado e consistente, ao estabelecer: 


•    Apetite e limites de risco aprovados pelas instâncias competentes;
•    Responsabilidades claras pela identificação e pelo tratamento dos riscos;
•    Critérios de avaliação de impacto e probabilidade;
•    Rotinas de monitoramento e reporte periódico ao Conselho de Administração e aos comitês de assessoramento; 
•    Mecanismos de controle interno, auditoria e resposta a eventos críticos.


Em empresas de infraestrutura, os riscos monitorados costumam abranger dimensões regulatórias, operacionais, socioambientais, financeiras, de mercado, de segurança cibernética e de integridade. A governança organiza a forma como essas exposições chegam à mesa de decisão, evitando que sejam tratadas de maneira isolada. 
 

Qual é a relação entre governança corporativa e ESG?


A governança corresponde ao "G" da agenda ESG (Environmental, Social and Governance). É ela que cria a estrutura necessária para que compromissos ambientais e sociais sejam efetivamente incorporados à estratégia da organização.


Em outras palavras, iniciativas ligadas à redução de emissões, diversidade, inclusão, relacionamento com comunidades ou direitos humanos dependem de processos de tomada de decisão, definição de responsabilidades, acompanhamento de metas e prestação de contas.


Sem governança, as ações ambientais e sociais tendem a ficar isoladas. Com uma estrutura de governança bem estabelecida, esses temas passam a integrar o planejamento corporativo, os investimentos e a gestão de riscos.


Um exemplo desse alinhamento está na Política de Governança Sustentável e Responsabilidade Socioambiental da ANEEL, que estabelece diretrizes para incorporar fatores ambientais, sociais e de governança às atividades, processos e decisões do órgão. A política orienta o planejamento institucional, a gestão de riscos, a implementação de ações de sustentabilidade e o acompanhamento de resultados, reforçando a transparência, a responsabilidade na administração pública e a geração de valor para a sociedade.

 

Como a governança corporativa fortalece a sustentabilidade empresarial? 


A sustentabilidade empresarial depende de decisões consistentes ao longo do tempo, e não apenas de iniciativas pontuais. A governança corporativa é o que dá durabilidade a esses compromissos, ao incorporá-los à estratégia, ao orçamento, à gestão de riscos e aos indicadores de desempenho da companhia. 


Entre os mecanismos que conectam governança e sustentabilidade, destacam-se: 


•    Comitês de assessoramento dedicados a temas de sustentabilidade e ESG;
•    Políticas corporativas que estabelecem diretrizes ambientais, sociais e de governança;
•    Metas e indicadores acompanhados periodicamente pela alta administração;
•    Relatórios de sustentabilidade e divulgação de informações não financeiras;
•    Avaliação de impactos socioambientais em decisões de investimento.


Dessa forma, a agenda de sustentabilidade deixa de depender de iniciativas isoladas e passa a integrar o ciclo formal de planejamento, execução, monitoramento e prestação de contas da organização. 

 

Quais são os benefícios da governança corporativa para investidores e para o mercado? 


Boas práticas de governança corporativa tendem a reduzir assimetrias de informação entre a companhia e o mercado. Para investidores, analistas, financiadores e agências de classificação de risco, a existência de estruturas formais de decisão e controle é um elemento relevante de avaliação.


Entre os principais benefícios associados à governança corporativa estão: 


•    Maior previsibilidade e consistência nas decisões estratégicas;
•    Transparência na divulgação de informações relevantes ao mercado;
•    Tratamento equitativo de acionistas e demais partes interessadas;
•    Fortalecimento dos mecanismos de controle e de prestação de contas;
•    Melhor identificação e tratamento de riscos que possam afetar resultados;
•    Maior confiança de investidores, clientes, fornecedores, reguladores e comunidades.


No caso de companhias abertas, a governança também se relaciona ao cumprimento das obrigações de divulgação previstas na regulação do mercado de capitais, incluindo a comunicação tempestiva de fatos relevantes e a disponibilização de informações periódicas aos acionistas. 
 

Por que a governança é importante no setor de energia?


O setor de energia apresenta características que ampliam a importância da governança corporativa.


Empresas que atuam em infraestrutura energética operam com ativos de longa vida útil, realizam investimentos expressivos, estão sujeitas a regulamentações específicas e lidam com riscos operacionais, ambientais e financeiros relevantes.


Além disso, suas atividades envolvem relacionamento constante com diversos públicos, como órgãos reguladores, investidores, comunidades, clientes, fornecedores e agentes do mercado.


Nesse contexto, processos estruturados de decisão, conformidade regulatória, transparência e gestão de riscos tornam-se ainda mais importantes para garantir a continuidade dos negócios e a segurança das operações.


A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) disponibiliza diversos manuais, modelos, orientações e procedimentos para agentes do setor elétrico, contribuindo para a padronização de processos e o cumprimento das exigências regulatórias. Confira: Manuais, Modelos e Instruções da ANEEL.


A cadeia do setor elétrico brasileiro abrange atividades de geração, transmissão, distribuição e comercialização de energia, cada uma com características próprias de regulação, contratos, prazos e riscos. Boa parte dessas atividades é exercida mediante concessões, autorizações ou permissões, com obrigações de qualidade, disponibilidade e continuidade do serviço. 


Esse arranjo institucional envolve diferentes agentes, como o Ministério de Minas e Energia (MME), a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) e a Empresa de Pesquisa Energética (EPE). A governança corporativa contribui para que a companhia acompanhe esse ambiente de forma estruturada e responda às suas exigências com consistência. 


Na prática, a governança corporativa no setor elétrico costuma apoiar temas como: 


•    Gestão de ativos de longa maturação e de contratos de longo prazo; 
•    Conformidade regulatória e relacionamento com órgãos reguladores e fiscalizadores; 
•    Aprovação e acompanhamento de investimentos relevantes em infraestrutura; 
•    Segurança operacional, confiabilidade do sistema e continuidade do serviço; 
•    Gestão socioambiental, licenciamento e relacionamento com comunidades; 
•    Integridade nas contratações e na relação com fornecedores; 
•    Agenda de transição energética, expansão de fontes renováveis e inovação. 
 

Como as decisões tomadas hoje produzem efeitos por décadas, a qualidade dos processos de governança é determinante para equilibrar retorno econômico, segurança operacional, responsabilidade socioambiental e cumprimento das obrigações regulatórias.

 

Como a governança corporativa faz parte da estratégia ESG da AXIA Energia?


Na AXIA Energia, a governança corporativa está integrada à estratégia ESG e faz parte da forma como a companhia conduz suas atividades, toma decisões e acompanha seus resultados.


Conforme estabelecido em seu Guia de Governança, a estrutura de governança da empresa é composta por órgãos como Assembleia Geral, Conselho de Administração, Diretoria Executiva e comitês de assessoramento, incluindo os comitês de Auditoria e Riscos e de Sustentabilidade.


Essa estrutura é apoiada por instrumentos como:

•    Estatuto Social;
•    Políticas corporativas;
•    Regimentos internos;
•    Manuais e normas corporativas;
•    Diretrizes de gestão e controle.

Esses mecanismos contribuem para que critérios ambientais, sociais e de governança façam parte das decisões estratégicas, da gestão de riscos, da alocação de investimentos e do acompanhamento dos resultados da companhia.


Ao fortalecer a transparência, a responsabilidade e a sustentabilidade nos processos internos, a governança apoia a geração de valor para os negócios e para a sociedade.


Conheça a estrutura de Governança Corporativa da AXIA

Perguntas frequentes sobre governança corporativa

A governança corporativa é uma responsabilidade compartilhada. Dependendo da estrutura da organização, participam desse processo acionistas, Conselho de Administração, Diretoria Executiva, comitês de assessoramento, Secretaria de Governança, áreas de controle, auditoria e demais agentes de governança.

Cada instância possui atribuições específicas, que vão desde a definição de diretrizes estratégicas até a supervisão, execução e monitoramento das atividades da empresa.

Sim. Os princípios da governança permanecem os mesmos, mas sua aplicação pode variar conforme o tamanho, setor de atuação, modelo de gestão e complexidade das operações.


Uma empresa de menor porte pode adotar estruturas mais simples, enquanto organizações com operações complexas costumam contar com conselhos, comitês especializados e sistemas mais robustos de gestão e controle.

A governança ajuda a criar processos para identificar, avaliar, monitorar e tratar riscos que podem impactar os resultados da organização.


Por exemplo, ao estabelecer responsabilidades claras, controles internos, auditorias e mecanismos de acompanhamento, a empresa consegue antecipar desafios e tomar decisões mais informadas.


Isso não significa eliminar totalmente os riscos, mas aumentar a capacidade da organização de gerenciá-los de forma estruturada, transparente e alinhada aos seus objetivos estratégicos.

A governança corporativa é o sistema que organiza a direção e a supervisão da empresa. O compliance atua para assegurar a conformidade com leis, normas e políticas internas. A auditoria interna avalia, de forma independente, a eficácia dos controles, dos processos e da própria gestão de riscos, reportando suas conclusões às instâncias de governança. 

O Conselho de Administração é o órgão responsável por definir diretrizes estratégicas, supervisionar a gestão executiva, acompanhar riscos e resultados e zelar pelo sistema de governança da companhia. Em geral, conta com comitês de assessoramento, como os de Auditoria e Riscos e de Sustentabilidade, que aprofundam a análise técnica de temas específicos antes das deliberações. 

Parte das práticas de governança decorre de exigências legais e regulatórias aplicáveis a determinados tipos societários, a companhias abertas e a setores regulados. Outra parte corresponde a boas práticas voluntárias, recomendadas por códigos de referência, como o Código das Melhores Práticas de Governança Corporativa do IBGC, que as organizações adotam conforme seu porte, sua complexidade e seu modelo de gestão. 

A governança corresponde ao pilar de Governance da agenda ESG e é o que permite transformar compromissos ambientais e sociais em decisões, metas, investimentos e indicadores acompanhados pela administração. Sem estruturas de governança, a agenda ESG tende a permanecer no plano declaratório. 

No setor elétrico, a governança corporativa apoia a gestão de concessões, contratos de longo prazo, investimentos em infraestrutura, conformidade regulatória, segurança operacional e relacionamento com órgãos reguladores, investidores e comunidades, contribuindo para a continuidade e a previsibilidade das operações. 

Para aprofundar o tema, consulte também os conteúdos da AXIA Energia sobre estrutura de governança corporativa, estratégia ESG, sustentabilidade, gestão de riscos, ética e integridade, relacionamento com investidores e transição energética

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